Tarde da noite. Mocinhas debruçadas na janela escondem seus sorrisos e se divertem com moços na rua, à beira do asfalto, cantando odes em homenagem à beleza e ao amor. Romance.
E assim começavam muitos namoros no Brasil nas primeiras décadas do século passado. Mas o tempo passa, as coisas mudam e os costumes mais sublimes ficam para trás. Embora os sentimentos ainda sejam os mesmos. Assim, quem não ficaria emocionado de receber como homenagem uma serenata à moda antiga?
Foi num Dia dos Namorados, 12 de junho de 1990, que quatro amigos, seresteiros desde a infância, decidiram cantar e encantar pessoas com músicas de amor que fizeram sucesso em meados do século passado. Surgia assim, o grupo Trovadores Urbanos, formado por seresteiros interessados em resgatar a tradição da serenata paulistana e que deu origem à MMP Produções & Eventos, uma das mais expressivas empresas de entretenimento da capital paulista. Realiza cerca de 400 apresentações de serenatas por mês, com preços a partir de R$ 380, além de produzir shows a R$ 8,5 mil, que já rodaram países como França, Espanha, Portugal e Emirados Árabes.
A empresa também está produzindo seu sétimo CD, acompanhado de um DVD sobre a história do grupo e da empresa, hoje com 19 anos de história. História que começou com uma ideia simples iniciada pela jornalista Maída Novaes, e que hoje se transformou num dos serviços mais procurados de animação de festas e realização de homenagens do país. Com clientes famosos, como os astros Renato Aragão, Xuxa, Regina Duarte, Antônio Fagundes, Ana Maria Braga; ícones do esporte, como o jogador Viola, Zagalo, Rubens Barrichelo; e outra centena de personalidades.
No show Canções Paulistas que virou CD e DVD lançados em outubro |
Ao todo, a empresa tem hoje um cadastro com 50 mil clientes, pessoas que encontraram na serenata, uma forma bonita, inteligente e elegante de homenagear seus entes queridos.
Uma jornalista, novos desafios
À frente desta empresa, está a jornalista, cantora, trovadora e empresária Maída Novaes. Tudo começou quando ela, que na época trabalhava como jornalista para a extinta Rádio Excelsior de São Paulo (atual CBN), cansou-se da profissão e resolveu investir na ideia de fazer serenatas na capital paulista. Nascida em Avaré, filha de uma família de músicos, ela praticamente já possuía uma equipe de pessoas que desde a infância cantavam com ela: seu irmão, Juca Novaes, e os amigos Eduardo Santhana e Júlia Caram, que ainda hoje integram o núcleo centro do Trovadores Urbanos.
Ela mal sabia que, naquele Dia dos Namorados, ela e seus amigos de infância dariam início a uma trajetória de sucesso no mercado de entretenimento brasileiro e abririam as portas desse mercado para os músicos de serenatas. "Eu nem imaginava que seria empresária um dia. Mas as coisas na vida da gente são engraçadas... Antes de começar, eu devia ter uns 22 anos, fiz o meu mapa astral e a moça me disse naquela ocasião: 'você vai mudar radicalmente de profissão, vai se dar super bem e vai conhecer uma pessoa e terá um amor calmo.' Eu torci o nariz, nem me passava pela cabeça largar minha vida de jornalista um dia", afirma.
Mas a astróloga estava certa, e o que era pra ser apenas uma maneira de ganhar um dinheiro extra se mostrou um empreendimento promissor. Começar o Trovadores Urbanos, segundo a empresária, não foi fácil. "No começo, eu produzia, marcava as serenatas e ia à noite ao local para cantar. Arrumei uma salinha emprestada nos fundos de um consultório odontológico, que tinha apenas uma linha telefônica. Ali eu comecei e fiquei por cinco anos", lembra.
A sorte estava lançada, e a favor dela. Os Trovadores Urbanos resgataram algo que a cidade de São Paulo havia perdido há muito tempo e isso chamou a atenção da mídia e dos jornalistas com quem Maída tivera contato na profissão. "O grupo ganhou uma visibilidade muito grande. No final do primeiro ano, tínhamos saído na Folha de São Paulo, Jornal da Tarde e fomos ao programa do Jô Soares [à época, no SBT]", conta ela.
Se até então, o grupo realizava cerca de 20 apresentações por mês, após essa exposição o número praticamente dobrou. Hoje, com um cadastro de mais de 50 músicos, além de atores que integram um Núcleo de Interpretação, a empresa realiza cerca de 40 apresentações só aos sábados. As apresentações duram em média 15 a 20 minutos, o suficiente para encantar o público, emocionar a pessoa homenageada e deixar o cliente satisfeito. "Precisei descobrir meu lado empreendedor fazendo, aprendi muita coisa com meus clientes e essa sempre foi uma preocupação. Saber o que o cliente gostou, descobrir o que era preciso melhorar, porque a gente percebe, pela cara do cliente, quando ele não está satisfeito com alguma coisa", explica.
Os clientes ensinam
Os clientes ensinam
Além das festas, em 1998 a empresa passou também a atender clientes corporativos em empresas e consultorias de negócios. Começava então, para Maída, um novo campo de aprendizado. "As consultorias foram muito importantes ao longo da minha carreira, pois com elas aprendi cada vez mais sobre meu lado de empresária. Naquela primeira consultoria, o cliente me questionou porque em vez de serenatas em quartetos [quatro músicos], eu não trabalhava com serviços em duetos [voz e violão]", conta ela. A sugestão foi aceita e dinamizou os atendimentos da empresa.
Esses contatos com homens de negócios também lhe ensinaram a investir no aprimoramento do seu próprio empreendimento. Há cerca de dois anos, Maída contratou uma consultoria em vendas para treinar suas vendedoras e, assim, aumentar o volume de atendimentos. "Foi ótimo! Eu queria que elas entendessem que o que estão vendendo é puro glamour, romantismo, e durante quatro meses eles nos acompanharam, gravando e ouvindo as conversas delas com os clientes, para melhor orientá-las nas vendas. Foi muito importante para o nosso crescimento", afirma a empresária.
Em seu último contato com uma consultoria, ocorrido há cerca de três anos, também saíram sugestões que mudaram a maneira como a empresária via seu negócio. "Conversando com o cliente, descobrimos que nosso produto estava velho e então decidimos refazer tudo: nosso site, figurinos, repertórios, ou seja, mudamos a cara do que tínhamos", conta.
O investimento deu cara nova ao site www.trovadoresurbanos.com.br, em que o cliente tem contato com todos os trabalhos, serviços e projetos da empresa, como o Trovadores Mirins, no qual crianças de 5 a 14 anos de idade vão às festas cantar serenatas aos homenageados. O internauta também pode conhecer e comprar os sete CDs produzidos pelo grupo ao longo desses anos e que resgatam os últimos cem anos da música popular paulistana. Produzidos em parceria com músicos e compositores famosos, como Paulo Vanzolini, Silvio Caldas (1908 - 1998, patrono do grupo), Toquinho e Guilherme Arantes. Em outubro, o grupo lançou seu sétimo CD, Canções Paulistas Ao Vivo, em conjunto com um DVD homônimo.
Recentemente, a empresa investiu numa consultoria de internet afim de expandir seus serviços e projetos nas redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter e outros. "A gente tem que saber crescer, e esse crescimento tem coisas boas e coisas ruins, cada vez mais dedico meu tempo ao trabalho no escritório. Mas como meu pai sempre dizia: 'se você não olhar o porco, a porcada não engorda'", brinca Maída. Com certeza, ela fala a sério.
Fonte: Revista Carreira & Negócios online.
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